Como reconhecer a esquizofrenia ainda no começo?
O reconhecimento precoce da esquizofrenia é uma tarefa difícil porque nenhuma das alterações é exclusiva da esquizofrenia incipiente; essas alterações são comuns a outras enfermidades, e também a comportamentos socialmente desviantes mas psicologicamente normais . Diagnosticar precocemente uma insuficiência cardíaca pode salvar uma vida, já no caso da esquizofrenia a única vantagem do diagnóstico precoce é poder começar logo um tratamento, o que por si não implica em recuperação. O diagnóstico precoce é melhor do que o diagnóstico tardio, pois tardiamente muito sofrimento já foi imposto ao paciente e à sua família, coisa que talvez o tratamento precoce evite. O diagnóstico é tarefa exclusiva do psiquiatra, mas se os pais não desconfiam de que uma consulta com este especialista é necessária nada poderá ser feito até que a situação piore e a busca do profissional seja irremediável. Qualquer pessoa está sujeita a vir a ter esquizofrenia; a maioria dos casos não apresenta nenhuma história de parentes com a doença na família.
Abaixo estão enumeradas algumas dicas: como dito acima, nenhuma delas são características mas servem de parâmetro para observação.
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Dificuldade para dormir, alternância do dia pela noite, ficar andando pela casa a noite, ou mais raramente dormir demais
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Isolamento social, indiferença em relação aos sentimentos dos outros
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Perda das relações sociais que mantinha
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Períodos de hiperatividade e períodos de inatividade
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Dificuldade de concentração chegando a impedir o prosseguimento nos estudos
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Dificuldade de tomar decisões e de resolver problemas comuns
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Preocupações não habituais com ocultismos, esoterismo e religião
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Hostilidade, desconfiança e medos injustificáveis
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Reações exageradas às reprovações dos parentes e amigos
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Deterioração da higiene pessoal
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Viagens ou desejo de viajar para lugares sem nenhuma ligação com a situação pessoal e sem propósitos específicos
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Envolvimento com escrita excessiva ou desenhos infantis sem um objetivo definido
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Reações emocionais não habituais ou características do indivíduo Falta de expressões faciais (Rosto inexpressivo)
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Diminuição marcante do piscar de olhos ou piscar incessantemente
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Sensibilidade excessiva a barulhos e luzes
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Alteração da sensação do tato e do paladar
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Uso estranho das palavras e da construção das frases
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Afirmações irracionais
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Comportamento estranho como recusa em tocar as pessoas, penteados esquisitos, ameaças de auto-mutilação e ferimentos provocados em si mesmo
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Mudanças na personalidade
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Abandono das atividades usuais
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Incapacidade de expressar prazer, de chorar ou chorar demais injustificadamente, risos imotivados
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Abuso de álcool ou
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Posturas estranhas
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Recusa em tocar outras pessoas Nenhum desses sinais por si comprovam doença mental, mas podem indicá-la
O paciente esquizofrênico sofre intensamente com sua condição e sua família também, não há como isto ser evitado.
Infelizmente os programas político-sociais de reinserção dos doentes mentais na sociedade simplesmente ignoram o sofrimento e as necessidades da família, que são enormes.
Esta é vista como desestruturada, fria, indiferente ou mesmo hostil ao paciente. Da mesma forma que o paciente esquizofrênico sofre duas vezes, pela doença e pelo preconceito, a família também sofre duas vezes, com a doença do filho e com a discriminação e incompreensão sociais. Num país pobre como o Brasil, a assistência à família do esquizofrênico tem que ser um programa governamental indispensável, para que se possa preservar o desempenho social (estudo, trabalho, profissão) dos parentes dos pacientes esquizofrênicos.
O nível de recuperação que se tem com o tratamento da esquizofrenia é muito baixo; os irmãos saudáveis desses pacientes devem ser amparados para não terem suas vidas impedidas de se desenvolver por causa da esquizofrenia de um irmão.
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A título de reumanização do tratamento dos esquizofrênicos, pretende-se fechar os hospitais psiquiátricos alocando-os para outros serviços que não incluem atendimento às necessidades dos parentes dos esquizofrênicos. Como está, esse projeto não apenas piorará a situação do paciente, como também de sua família.
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Pesar... "Sentimos como se tivéssemos perdido nosso filho"
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Ansiedade... "Temos medo de deixá-lo só ou de ferir seus sentimentos"
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Medo... "Ele poderá fazer mal a si mesmo ou a outras pessoas?"
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Vergonha e culpa... "Somos culpados disso? O que os outros pensarão?"
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Sentimento de isolamento... "Ninguém nos compreende"
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Amargura... "Por que isso aconteceu conosco?"
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Depressão... "Não consigo falar nisso sem chorar?"
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Negação da doença... "Isso não pode acontecer na nossa família"
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Negação da gravidade... "Isso daqui a pouco passa"
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Culpa recíproca... "Não fosse por aquele seu parente esquisito..."
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Incapacidade de pensar ou falar de outra coisa que não seja a doença... "Toda nossa vida gira em torno do nosso filho doente"
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Problemas conjugais... "Minha relação com meu marido tornou-se fria, sinto-me morta por dentro"
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Separação... "Não agüento mais minha mulher"
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Preocupação em mudar-se... "Talvez se nos mudarmos para outro lugar as coisas melhorem"
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Cansaço... "Envelheci duas vezes nos últimos anos"
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Esgotamento... "Sinto-me exausto, incapaz de fazer mais nada"
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Preocupação com o futuro... "O que acontecerá quando não estivermos presentes, o que será dele?"
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Uso excessivo de tranqüilizantes ou álcool... "Hoje faço coisas que nunca tinha feito antes" Isolamento social... "As pessoas até nos procuram, mas não temos como fazer os programas que nos propõem"
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Constante busca de explicações... "Será que isso aconteceu por algo que fizemos para ele?"
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Individualização... "Não temos mais vida familiar"
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Ambivalência... "Nós o amamos, mas para ficar assim preferíamos que se fosse..."



















